28.7.17

felina presença

gatos me ensinam a viver.
independência emocional. amar sem pesos. alongamentos constantes. higiene de si e do ambiente. afeto. chamego. calor. silêncios.
gatos me ensinam a ter o que quero apenas para estar bem e a dizer não aos excessos. mostram a fragilidade da vida e a força que é a vida. garras para enfiar as patas nas querências. ser feliz com uma bolinha de papel e ser absurdamente feliz com um carinho nas orelhas. ronronar em epifania só por estar pertinho de outro corpo quente e querido. parece ser a definição de felicidade de um gato.

eles me ensinam a não me demorar onde não há o bem, e a definição de bem aqui é bastante particular, daí os enganos e a lenda triste de que eles gostam da casa e não das pessoas. as vezes casas são melhores que as pessoas, as vezes é preciso deixar casas e pessoas e buscar o seu bem, o que te faz melhor para estar melhor no mundo. felinos me ensinam a não insistir em enganos. agilidade, mente rápida, matematicamente um pulo. mínimo de riscos. simples assim e seguir adiante na navalha do mundo, com o equilíbrio que for possível alcançar. 

muitas pessoas tem medo de gatos, atribuem aos gatos atitudes humanas, grandes bobagens, humanas, jamais felinas. o medo vem deste mundo particular que o felino, e seus grandes enigmáticos olhos apresentam. e parece que a maioria das pessoas trocam a independência em descobrir/viver o novo, pela segurança do velho conforto. acho que não está errado gostar do antigo. o bom cão de casa, tanto não está que os lares estão apinhados de gatos e cachorros, mas os humanos estão aprendendo com eles? o velho e o novo entre miados e latidos, tentando nem correr demais e nem ficar parado no tempo.

eu gosto de cachorros, mas ando em companhia felina.
os cães, e a segurança do seu amor, fazem também muito bem ao mundo. os cães estão para nos ensinar coisas que eu ainda (acredito) não estou pronta para aprender, porque estou felina, porque estou na busca pela independência (já que liberdade me soa cada dia mais uma grande ilusão). pois me parece que somente independentes podemos escolher onde ficar. somente independentes (ou apesar de e de tudo) podemos amar, somente assim, soltos de obrigações, desejos e crenças, podemos caminhar lado a lado. o cachorro não diz como o dono deve ser para ele poder amá-lo, ele ama. o gato tampouco precisa que o dono seja isso ou aquilo, ele ama, mas ele também se ama. por isso estou na cia felina. amo, mas também me amo. e não posso me demorar onde não há o meu bem.

Henri Matisse


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